No corpo feminino, esse retiro

No corpo feminino, esse retiro

– a doce bunda – é ainda o que prefiro.

A ela, meu mais íntimo suspiro,

pois tanto mais a apalpo quanto a miro.

Que tanto mais a quero, se me firo

em unhas protestantes, e respiro

a brisa dos planetas, no seu giro

lento, violento… Então, se ponho e tiro

a mão em concha – a mão, sábio papiro,

iluminando o gozo, qual lampiro,

ou se, dessedentado, já me estiro,

me penso, me restauro, me confiro,

o sentimento da morte eis que o adquiro:

de rola, a bunda torna-se vampiro.

Carlos Drummond de Andrade

http://www.memoriaviva.digi.com.br/drummond/poema096.htm

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