O TETRA HACKER

O TETRA HACKER

[ 06.Abr.2002 ]

Se o futebol vai mal, em outras modalidades esportivas o Brasil está muito bem, obrigado. Veja-se por exemplo o caso de invasão de sistemas – coisa de hacker. No final da tarde de sexta-feira, a equipe da Módulo, armada com laptops bem fornidos, burlou os meandros de redes hiper-protegidas e venceu o ID’Net 2002, na Flórida. Entre os vencedores, Rinaldo Ribeiro, Alexandre Freire, Dênis Vieira, Carlos Souza e Gustavo Alberto, todos na faixa dos 25, 26 anos e alguns dos melhores especialistas brasileiros no assunto.

Não é pouca coisa. A ID’Net é patrocinada pelo Sans Institute, um dos organismos mais importantes do mundo quando o assunto é segurança de sistemas. Não importa se o problema é vírus ou fragilidade de um site, quiçá dos computadores de um banco, o que for ameaça digital, o Sans faz sua a responsabilidade de divulgar informação para combater o submundo online.

Todo o ano, paralelo a sua conferência anual, o Sans promove uma competição de hackerismo para quem estiver interessado. Para isso, seus especialistas montam redes as mais protegidos e ligam o fio na tomada da Internet, convidando os atendentes da conferência a violá-lo. Obviamente, máquinas preparadas por gente como eles não são páreo para iniciantes ou amadores.

A competição atrai gente do mundo inteiro. Este ano, foi em Orlando, Flórida, começou quinta-feira e terminou sexta. Estar nas finais do ID’Net já é uma tradição brasileira e, particularmente, carioca de quatro costados. Entre 1999 e 2001, estava lá Rinaldo Ribeiro, um hacker nascido no Rio de Janeiro a serviço da Módulo Security Solutions que – apesar do nome – tem sede na faixa de terra tamoia que se estende da Guanabara ao Corcovado.

Os hackers que participam encaram-na como um jogo de guerra, o cenário montado como se dá no mundo real e o objetivo é mostrar que tipo de segurança funciona e não funciona. O prêmio principal não vem em dinheiro nem é troféu. Tem, isto sim, a cara de um hacker: uma camiseta preta, com no peito a estampa “I hacked da Net” – “eu quebrei a rede” –, coisa que pode não parecer de muito valor mas que, para quem é do ramo, chama atenção de longe.

Rinaldo, Alexandre e Dênis são o que no mundo dos zeros e uns chama-se white-hat hacker, hackers de chapéu branco, em oposição aos de preto. Ao contrário dos vilões anônimos da Internet, seus nomes são conhecidos e seus talentos servem a quem tem uma rede e precisa defendê-la. Entre os clientes da Módulo estão bancos, grandes empresas e até o próprio governo. Em resumo, a garantia de dados de conta bancária e, eventualmente, do imposto de renda de cada um pode em último caso depender de um deles.

O tetra, afinal, tem gosto de alívio.

PS. A coluna pede licença e sai de férias com os dedos cruzados. Estou de volta em maio. Se houver maio, como diria o Tutty.

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